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JUAZEIRO


JUAZEIRO AMIGO
João Nunes Ventura-11/2012

Estão vendo o juazeiro
Nas margens daquele rio,
Com sua copa redonda
Não sente calor nem frio,
O descanso em sua sombra.

Seus galhos me equilibram
No balanço de minha rede,
Seus frutos que matam a fome
Também alivia a sede,
Com folhas que o bicho come.

Meu velho juazeiro
Faça-me um favor,
Mostre-me o caminho
Por onde foi o meu amor,
Que me deixou aqui sozinho.

Oh! Céus que dor imensa
Debaixo desse juazeiro,
Ouvindo o cantar nas floras
No chão sem travesseiro,
Tristes meus olhos choram.

O passarinho repousa
E alimenta os filhos seus,
Canta sentindo o prazer
E eu pedindo a Deus,
Alívio para o meu viver.

O sol vai se escondendo
Por detrás do verde monte,
A lua no fim da tarde
Vem surgindo no horizonte,
Matando-me de saudade.

Juazeiro o meu consolo
É seguir na paz de Deus,
Nunca mais sentir paixão
Ouvir os conselhos seus,
Na força do meu coração.

Hoje sem mágoa e feliz
Despeço-me com sabedoria,
Meu nome ficou gravado
No tronco para que um dia,
Ao descansar em sua sombra
Renove minha alegria.

KARLA



Karla

Karla branca menina
Doce risada feminina
Branquinha de coração,
Fascinante da cor do lírio
Dos olhos o colírio
Que acende uma paixão

Coração do meu Nordeste
O teu amor que se veste
De límpida geleira alva,
Oh bondosa natureza
Que te deu graça e beleza
Dos vícios também te salva.

Branca como o algodão
Num céu azul de verão
Encanto de simpatia,
Como é doce te admirar
Nas ondas mornas do mar
Se despedindo do dia.

De rosto lindo e formosa
Belo olhar misteriosa
Karla doce menina,
Charmosa moça bonita
Vestida com blusa de lista
Em cores de luz purpurina.

Karla tu és do céu
Da terra o doce mel
Linda estrela que reluz,
Anjo da terra querida
De amor se fez vida
Beleza florida de luz.

Belo Jardim, 24/05/12 - João Nunes Ventura

SUAVE LENCINHO



SUAVE LENCINHO
João Nunes Ventura.

O lenço que me estendesse
Ao enxugar o seu lamento,
Eu guardei de recordação
Desse impensado momento.

E essas lágrimas dementes
Dos seus olhos azulados,
Banharam o lindo lencinho
E os decores perfumados.

Esse lencinho branco
Que um dia você me deu,
É a saudade que restou
Do nosso derradeiro adeus.

Onde mora meu coração
Guardado ficou seu lenço,
Empregnado com o aroma
Do soluço de um amor imenso.

Quantos anos já se passaram
Nunca mais ouvi sua voz,
No lencinho a consolação
Como lembrança de nós.

Quando um dia Deus me chamar
Levo comigo seu suave encanto,
No lencinho meu estimado amor
Com as lágrimas do seu pranto.

A DOR DO VIOLEIRO


A DOR DO VIOLEIRO
João Nunes Ventura-10/2012

Tenho na parede pendurada uma viola
De alto valor de carinho e estimação,
Nela desenhei de saudades um coração
Como lembrança de tudo que se passou,
Foi o meu pai que um dia me ofertou
Com suas cordas pujantes e afinadas,
Que por anos ficaram bem guardadas
No santuário sagrado do seu amor.

Essa viola foi à paixão dos violeiros
No improviso deslumbrado das melodias,
Nas rimas das gargalhadas e alegrias
Nos desafios confrontando seus amores,
Com suas vozes dolentes e apaixonadas
Encantaram desbravando os meus sertões,
Em cada canto festejando os corações
Enamorados das terras dos meus primores.

Também tenho um lindo cavaquinho
Que suas cordas os sons enfeitiçaram,
Com o frenesi que as melodias voaram
No sopro das asas dos mansos ventos,
Desdobrando contentamentos e ternuras
Com o doce encanto de suas harmonias,
Levando esperança na crença das poesias
A um passado de agradáveis sentimentos.

Nos meus intensos cantos de amores
No cavaquinho afaguei a minha mágoa,
Na viola implorei a minha alma
Alívio para o viver dos dias meus,
Ajoelhado aos pés lhe pedi perdão
Fui cruel na hora da despedida,
Com sua voz carinhosa e comovida
E nas lágrimas penosas do seu adeus.

A ESPERANÇA



A ESPERANÇA
João Nunes Ventura

Trago no matulão guardado
A poeira da estrada,
A lembrança de minha amada
E a saudade do meu sertão,
E a velha baraúna
Era a sombra da fortuna
Do meu querido chão.

Lembro-me daquele coreto
Ao som do clarinete
Que meu pai tocava,
Na banda da cidade
Em minha pouca idade
Onde eu brincava.

Vem minha linda flor
Ornamentar meu amor
Faz raiar um novo dia,
Vem com o mel do sabor
Da pele que tua cor
Me fascina de alegria.

Meu olhar na natureza
Vislumbra tanta beleza
Na manhã que se alcança,
Moça brejeira bonita
Cabocla teu peito agita,
Um coração que palpita
Num mundo de esperança.

 Muito obrigada pelo envio dessa linda poesia. Sinto-me privilegiada por ser merecedora de sua confiança, além de sentir-me igualmente feliz por receber, em primeira mão, as emoções do poeta conterrâneo que canta sua terra, sua gente, suas belezas naturais e , por ser do mesmo torrão natal, me faz lembrar de um passado tão distante, cujas lembranças são também as minhas. Parabéns, poeta, que a sua inspiração seja fonte inesgotável, e como consequência nos tragas poemas que, se no seu bojo resgatam sentimentos saudosos dos nossos tempos, no seu título, nos convidam a ter esperança em um futuro melhor. Você se lembrou do coreto da Pracinha, que certamente não era esse, no entanto, para quem vivenciou outros tempos, vai buscar o anterior no baú de suas memórias. Com esse poema você sossegou o espírito do nosso rei do Baião, que cobra lembranças do Coreto da Pracinha nessa belíssima música:



NÃO SOUBE REZAR


Poeta João Nunes Ventura


NÃO SOUBE REZAR
João Nunes Ventura.

Amado sertão
Povo sofrido,
Terra brejeira
Cheiro querido.

Linda montanha!
Belo morro,
Luz do horizonte
Azul formoso.

Mas a seca terrível
O sol que aquece,
O filho nativo
No solo padece.

O tempo passa
Amargo desgosto,
Na face o suor
Resvala no rosto.

Marca do tempo
Tudo acabou,
A água na fonte
Há muito secou.

A seca devasta
Plantas no chão,
Última esperança
Chora coração.

O gado doente
Carrega a cruz,
Fim do caminho
Apaga-se a luz.

Então me pergunto:
Como posso viver?
Onde eu pequei?
Que devo fazer?

Oh, Deus do sertão!
E do meu pensar,
Perdoe este pobre
Que não soube rezar.

Belo Jardim, 24/07/12